Saltei do ônibus e peguei um táxi no Barra Shopping, morrendo de pressa. Boa noite, então, moço, só preciso ir ali no Via Parque, tô um pouco atrasado, deve dar uns seis reais, né?
- Que horas termina o show?
- Olha, começa às nove e meia. Deve acabar umas 23h, 23h30.
- Qual é mesmo o nome da banda?
- Cranberries.
- Aaaahh, sei! Tchu, tchuru, tchu? (Um homem daquele tamanho fazendo Ode To My Family!)
- É, isso aí! Essa música foi de uma novela, não foi? A Viagem?
- Pí (ele passou um rádio pra central): “olha só, show no Via Parque, acaba umas 23h30″
- Qual é o artista?
- Franberries.
- Quem?
- Fran-bé-ries.
- Quem?
- Qual é o nome da banda? (Olhou pra mim)
- É Cranberries, respondi
- Então, é FRAMBERRIES!
- Quem?
- Ah, vá pa porra! É Chitãozinho e Xororó!
(Pensei em dizer que era mais fácil fazer o “tchu thuru tchu”. Não tive coragem porque ele era um homem de uns 45 anos semigrisalho, meio machão no jeito de falar – como se diz hoje em dia quando o homem tem um corpo atarracado?)
Descobri que confundo todas as músicas do Cranberries. São todas feitas com três acordes básicos e as introduções costumam ser em arpejo. O baterista é ótimo até ao vivo e a Dolores é uma figuraça falante, que fica remexendo o busanfã como quem diz que não é sexy. Como ela continua cantando bem.
Quase chorei em “Ode To My Family” porque a ficha da letra caiu. É uma das mais bonitas em inglês.