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Roberto, você está aí

Fala sério, Roberto. Você está escondido no meu bairro só me espiando, não tá? Tá me vendo escolher as batatas no supermercado, tá me vendo esperar o ônibus no ponto? Aposto que você me segue pro meu trabalho e fica escondido na baia em frente à minha, lá atrás, olhando a minha cara enquanto eu penso nele.

Sério, ouvi isso e tive vontade de gritar, mesmo: ROBERTO, QUE LETRA É ESSA?

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Qual é a tradução de crush?


Funciona assim: você vai a um lugar lindo com uma pessoa por quem você tem (ou já teve) uma paixonite. O que você faz nesse balé? Fica olhando essa pessoa se mexendo nesse lugar, parando nesse lugar, descansando nesse lugar, falando coisas nesse lugar, sem deixar escapar que existe alguma coisa dentro de você?

Tentando resumir: como estar com uma pessoa bonita, subir e descer escadas em silêncio, passar por corredores atrás dela, e não poder dizer o quanto ela é linda. Temos que olhar a paisagem que de tão bonita chega a ser covarde e suspirar? O que eu quero dizer é que me sinto humilhado por morar numa cidade que envolve tão bem as pessoas mais bonitas do mundo. Uma coisa que eu gostei naquele filme estranho que vi com o Rafinha foi isso: tinha uma câmera que ficava indo e passando pelas pessoas, como um balé constante, quase sempre em grande angular. Como um observador que interage com o observado de uma forma sutil, sem tocá-lo, sem interferir nos movimentos dele, mas perto e presente no mesmo espaço.

Agora a Ana descobriu o meu blog e está nos dando o luxo de comentar por aqui. Leiam! Eu assino em cima. ;]

Ainda sobre aquele assunto: um vídeo-jabá ótimo.

move over

Ontem fiz menage com um casal fofo. Eles ainda estão na faculdade e namoram há um ano e meio. Usam aliança, têm momentos Ruy e Vani e são muito bonitos. Conversamos até às 6h, adorei o papo deles. Me deixaram novamente com aquela sensação de que a gente vai melhorando a cada geração. É como se eles tivessem adquirido menos neuroses durante a vida. Às vezes não entendo essas pessoas que não têm saco para gente mais nova.

Em compensação, entrar no Facebook todo dia me faz descobrir coisas sobre as pessoas (que eu já conhecia) que me broxam um pouco. É como se eu estivesse casado com elas e começasse a perceber aquelas pequenas manias que azedam a relação. Mas gosto de ver likes inesperados em posts meus. Do tipo ‘nossa, não esperava que essa pessoa fosse gostar disso’.

‘ let it fall, I’ll never make it in time ‘

“Rihanna”, “Mulher de Malandro”, “Maria da Penha”, me chamaram de UM tudo. Não importa, peguei o meu ex-ex. Sim, aquele do barraco. Fui tomar um chope com ele e acabei estendendo a minha curiosidade. Foge do roteiro moral que gerou tanta reação de surpresa, mas eu queria saber como me sentiria. E foi bom. Pra quem nunca fez isso e provavelmente não fará, é o que eu chamo de ex-with-benefits. Tem conversa, tem sexo, tem muito carinho e muita cumplicidade, mas não tem compromisso. É quase um disk pizza with extra sauce.

Hoje ele veio me falar que talvez volte para o ex com quem terminou há um mês. Eu não pude me conter e soltei a piada: “TRAGO O EX AMADO EM TRÊS DIAS (é só transar comigo!).” Ele não entendeu muito bem. Ou eu sou muito ruim de cama ou eu acabo de descobrir um novo jeito de ganhar uns trocados. :P (ou as duas coisas!)

Não me envolvi porque ainda gosto muito do menino que mora longe, talvez eu faça essas coisas achando que vou conseguir sofrer menos de saudade. E isso não acontece. :/ Outro dia, ele veio me dizer que ele é a minha Summer e eu sou o Tom dele. Não tenho como não gostar desse rapaz.

Enquanto ele não vem: tenho passado por tanta coisa que só me resta deitar na cama para ouvir uma música. (E por favor não me lembre de que o verão está acabando.)

deixe

Post de último dia do ano. Por mais que seja tudo uma invenção, não consigo me livrar. Esse blog virou um desabafo, aprendi isso, sobre blog-desabafos, com o Bruno.

Esse foi o ano em que tudo o que parecia improvável se mostrou possível. Colocar o amor como prioridade e tomar atitudes (falas, bilhetes, SMSs, e-mails etc) em relação a isso realmente me abriu possibilidades inimagináveis, como diria Bethânia – agora com o devido crédito por ter me influenciado durante todo o ano – DES-LUM-BRAN-TES.

Paciência talvez tenha sido o que eu mais aprendi neste ano. Tanto por colher frutos de uma espera delirante, quanto por ter o insight de parar quando era necessário. Sobre pegação, nem tudo precisa terminar em sexo. Às vezes só uma noite de romance e um selinho podem ser mais inesquecíveis do que levar alguém pra cama.

E o que eu queria postar aqui sobre essa gente que fica dizendo que ficar trise dá câncer. Aquela oncologista sabichona disse que não há estudos sobre essa relação direta, mas que ficar triste torna o sistema imunológico mais vulnerável, então pode nos tornar mais propensos ao câncer. O que eu quero postar: CAGUEI. Prefiro morrer de câncer (ou de parada cardíaca) por ter ficado triste por causa de uma amor, ou por sentir muita falta de alguém que está longe e parece não voltar mais, a morrer velho e frio. SHOVE IT.

E eu sempre acho que todo mundo que morre de parada cardíaca é gente que morre porque amou demais. Não é à toa que se morre do coração (e do fígado também). Pode me chamar de romântico, bliblibliblibli, caguei também.

Caguei.
E amei.

E das últimas surpresas deste ano maravilhoso foi ver Arnaldo Antunes dizendo umas coisas na fachada do CCBB com Rafa, Thales e Fernandinha.

broken

Tô cansada e vocês também.

Não tenho certeza de nada.

E a Norah que toca guitarra bonitinha e erra TUDO? E tá com um cabelo horroroso, somos dois.

O bom é que a gente pode sempre rir das nossas desgraças.

E o pior é que ainda me mandam uma chuva numa hora dessas. Não vou mais tentar nada até 2012.

Até lá!

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só sóbrio

Vou dar um tempo desse negódi bibida. Não é que faça mal à saúde, o problema são as mensagens e e-mails embriagados que tenho mandado nessas horas. A pessoa perde a dignidade.

“Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer”

Adorei ouvir Fernandinha cantando isso.

Vi outro dia em algum lugar alguém falando de desejos e medos. Não, acho que foi no livro que Fernandinha me deu de aniversário. (Busquei aqui). “Cidades, como os sonhos, são constituídas por desejos e medos. Ainda que suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas e que todas as coisas escondam um outra coisa”. Achei graça lembrar do nome do primeiro disco do Keane, “Hopes and Fears”.  É mais ou menos isso quando estou perto da pessoa de que gosto. E esse é o meu erro, já disse Bruno, meu irmão mais velho.

“Someone with strange little ways
Eyes like a blue autumn haze 
Someone with your laughing style 
And a smile that I know will keep hauting me endlessly

Sometimes in stars or the swift flight of sea-birds 
I catch a moment of you 
That’s why I walk all alone 
Searching for something unknown”

mas eu sou péssimo no amor! ;]

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” caravanas e tropas, museus, paisagens, perfumes, vestidos, receitas e roupas “

Eu deveria fazer como os meus amigos de letras, que se respeitam e que, quando não têm nada para escrever, não escrevem. Mas eu tô insistente no doce.

É que hoje voltei pra casa com medo de pegar tuberculose do cara que tossia freneticamente atrás de mim no ônibus. Aí me liguei que não ia dar tempo de voltar pra academia e comecei logo a sentir um incômodo na perna. Lembrei do filme com a Kate Hudson e fiquei com medo de ser um câncer. E quando a gente acha que a vida é curta, vem logo uma urgência doida, de modo que tomei banho – olha que ridículo – pensando comigo mesmo, que nem personal trainer: “Não! Isso não é um câncer! Amanhã eu volto a malhar e vocês vão ver! Vou cuidar tão bem de mim. Não vou comer mais produtos industrializados…  (rap)”

É impressionante o meu talento para me meter em xeque. Ter que escolher isso ou aquilo. Quer dizer, você passa um tempão insistindo nisso e dá uma desistida, cansado. Aí aparece aquilo, mas é justamente aí que isso volta. Compreende?

Da maior importância

“E assim como existe disco voador
E o escuro do futuro
Pode haver o que está dependendo
De um pequeno momento puro de amor”

Caetano, escondido em “Da maior importância”.

Quando sou surpreendido por uma letra boa e desconhecida, censuro logo a minha vontade de entrar no Google para encontrá-la antes que a música acabe. Essa do Paulinho é tão gostosa e merece ser ouvida antes de lida:

Gal está na capa da Bravo! deste mês. Um dos trunfos da revista é o cheiro dela bem novinha, de modo que gosto de lê-la e cheirá-la. Mas é imperdível o texto de Inês Pedrosa sobre Chico e Caetano.

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Canavial

Hoje foi dia de dormir. Fiquei deitado na cama dormindo ou fazendo várias poses com o edredom. Eu, um disco do Fruitbats e essa saudade que me deixa com pele de galinha sem pena. Acordei em definitivo às 23h. A cara inchada, os olhos ardendo, os ossos doendo. Estou um caco. Tomei um banho bem quente e vi um filme longuíssimo, mais um em que a Cate Blanchet interpreta Elizabeth. Mulher perdidinha, ela vira a Rainha Virgem. Lembrei que mais cedo pensei se Bethânia não gostaria de ter filhos. Comigo. #brinks

Repararam que “canavial, canavial” é um dos versos mais importantes de Motriz?

A Bebel Gilberto dizendo pro Amaury Jr que o ano de 2011 foi ruim porque muita gente boa se matou ou morreu. Eu gostei do ano. Estive numas situações desconhecidas, que não têm explicação. Falei um monte de coisa sem pensar. Mandei um monte de mensagem bêbado. Aquilo que eu fiz e tanto quis. Digo, acho que a minha suposta timidez não me impediu de fazer o que eu quero, posso dizer que tentei. De modo que estou satisfeito. E não peço desculpas.

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