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” Qual é a que a Rita quer? Pelamooooooooooordedeus “

Diogo tinha me contado, eu não tinha visto. Muito bem:

Achei isso buscando o vídeo que vi na casa de Fernandinha, uma delícia, dela dizendo essa sagitarianisse: “Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.” Os créditos são daquela cujo nome não podemos mais postar. É quase como “imagens: josé de arimatéria” ou “produção musical: mariozinho rocha”.

E posso até achar que ficar só é lindo

Vejam só como é que é: estou aqui lendo porque tenho insônia (e talvez tenha insônia porque amo e tenho dúvidas de um homem apaixonado). Tive que fazer uma pausa porque são 1h34 da manhã e estou gargalhando com o seguinte trecho:

“Aquela coisa que ele estava sentindo devia ser, em última análise, apenas ele mesmo. O que teve o gosto que a língua tem na própria boca. E tal falta de nome como falta nome ao gosto que a língua tem na boca. Não era, pois, nada mais que isso.

Mas, a essa coisa, uma pessoa ficava um pouco atenta; e ficar atenta a isso, era ser. Assim, pois, no seu primeiro domingo, ele era.

O que, no entanto, começou a ficar um pouco intenso.”

LOL! Não, LOL MESMO! E ela me escreve isso depois de passar por uns desenvolvimentos ótimos de “Hoje deve ser domingo”, como pode? Essa mulher me mata. Ela e Shakira, ó, tão assim comigo.

(Pra vocês verem, Deus nem existe e está sendo sarcástico comigo.  Mentira. É que os deuses devem estar no mundo assim como aqueles objetos em movimento por inércia (me achando físico). Tudo deus em movimento contínuo sobre uma superfície sem atrito, num balé plácido e elegante, sempre às vésperas de tocar um outro deus e liberar uma figura de linguagem que carrega em si, já fizemos muita história. Neste caso, é uma deusa morta cutucando um deus vivo de madrugada. Acho que o Casares me fez mal!)

Depois dessa tive até vontade de comer um chocolate. Fui na sala e descolei uma trufa. Aí me deu vontade de comer batata-frita. Me contive (mas se eu morasse perto de um lugar 24h em que elas já me aparecessem fritas, dênde um papelão brilhoso e vermelho, eu ia).

Agora vou esquentar um leite, já que desorganizei a higiene bucal que fiz há duas horas com um kit completo da Oral-B: escova, pasta de dente Pro-Saúde e líquido bucal noturno Pro-Saúde, que me protege contra tártaro, placa, cáries, sensibilidade, previne a gengivite, refresca o meu hálito e ainda branqueia os meus dentes.

:B

(Onde mais você iria achar alguém vendendo escova de dente usando Clarice Lispector? Só pra provocar os meus amigos anti-capitalistas GARGALHADAS [mostrando os dentes ultrabrancos!])

MAS NÃO BOICOTEM O MEU BLOG!

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a gente não pode amar aquilo que não pode tocar

Então, surpresas de dezembro. Bruno me mostra um monte de coisa legal todo dia e ontem ele falou desse escritor, me passou umas entrevistas dele.

“Começa a ser difícil… aos 14 ou 15 anos você entende que há uma diferença entre escrever bem e escrever mal e aí começa a angústia, né? E pros 18 você compreende que há uma diferença entre escrever bem e obra prima e aí é aflição total.”

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A gente tem o país que merece ou ” que juventude é essa?, que juventude é essa? “

Já ouvi tanto que faltam investimentos em cultura no Brasil, que precisamos ampliar o acesso à informação, que o Brasil não vai pra frente porque as pessoas, por exemplo,  só assistem à TV e a TV só passa Big Brother e que é um pecado pessoas não saberem quem é Manoel de Barros ou Antonio Cicero ou Manuel Bandeira.

Aí o MinC aprova a captação de verba de um projeto que prevê a publicação diária de poesia na internet e parte da população fica indignada, como se isso fosse mau uso do dinheiro público, ou ‘do meu, do seu, do nosso dinheiro’, como gostam de sublinhar. Não dá pra entender, parece a Revolta da Vacina.

Indignação ignorante e retórica. Se é para provar que você é antenado e fiscaliza o seu dinheiro, quedê o grito sobre os projetos de governo que foram anunciados e não aconteceram, como os das 600 salas de cinema (em quatro anos, apenas seis foram inauguradas) e bibliotecas públicas que também não foram inauguradas por incompetência administrativa (as verbas até foram repassadas)? Quedê o grito quando a houve diminuição da verba para o MinC em JANEIRO de 2011?

Algumas questões:

1. A verba já era destinada à cultura. Mesmo que fosse o caso, a verba não foi desviada da saúde, nem da educação – e os professores, com ou sem projeto de poesia na internet, continuam ganhando salário de miséria – para financiar projetos culturais. A verba deste ano para o MinC é de R$1,6 bilhão. Espero que os antenados também fiscalizem os outros projetos beneficiados com o resto do montante.

2. Se o problema for a quantia. Por que os indignados (cariocas) não gritaram há algumas semanas, quando Maria Rita foi capa do Segundo Caderno anunciando que cantaria o repertório da mãe e que, para isso, captaria R$ 2.195.800 em patrocínio de empresas para cinco apresentações da série “Redescobrir Elis”? E Erasmo, Marisa, Wanderlea, fizeram o mesmo, e com razão.

3. Se o problema for poesia. Esse tipo de prática é comum tanto no audiovisual, quanto na organização de festivais de música. Cinema e música pode, poesia não? “Ao mesmo tempo em que diminuiu a verba para estímulo direto à cultura pelo MinC, algumas instituições vinculadas, como a Agência Nacional de Cinema (Ancine), tiveram aumento orçamentário – o da Ancine saltou de R$ 86,2 milhões em 2010 para R$ 96,6 milhões em 2011.” Fonte aqui.

4. Se o problema for ‘vídeos para internet’.  O velho problema dos micreiros. Não acredito que Andrucha mandaria Maribéth gravar os vídeos em seu quarto com uma webcam.  Ainda assim, seriam  365 vídeos consecutivos. Dividindo a conta, daria cerca de 3.561 reais por episódio. Qualquer episódio para TV é feito com o dobro ou o triplo disso. E incluímos aí realitys shows (sem roteiro, sem ensaio, sem pesquisa, mas com trabalho primoroso de edição) a que todos nos assistimos de vez em quando.

5. Se o problema for a internet. Procure saber sobre o investimento que as programadoras, emissoras de TV e gigantes de Telecom estão alocando para projetos de ‘Novas Mídias’.  Para aqueles que pregam – quando lhes é conveniente – o acesso à informação, o alcance da internet no Brasil é de 73,9 milhões de pessoas.

Talvez o problema tenha sido causado pelo mau jornalismo, tanto pelo tom polêmico das manchetes – que davam margem à interpretação de que Maribéth embolsaria R$1,3 milhão -, quanto pela ausência de voz da classe artística. Quedê os artistas que defendem a remuneração do trabalho dos criadores nas campanhas anti-pirataria? Será que eles também só sabem se manifestar quando são levados pela maré do senso comum?

E o Facebook criou uma geração de oportunistas. Um fato acaba de acontecer e as pessoas ficam afobadas para comentar sem pesquisar qualquer coisa. Aí tem gente de todos os tipos: o antenado, o hype, o bon vivant e o pior de todos, aquele que se acha sempre engraçado.

Se você ainda desconfia de que, mesmo com Andrucha e Maribéth participando, esse dinheiro está sendo mal investido, então eu realmente não sei o que fazer com a verba de cultura do país.

Gugu

‘Rápido’ é uma palavra rápida. ‘Veloz’ é uma palavra lenta. Tente ler ‘veloz’ de forma rápida. Agora imagine ‘veloz’ com a voz da moça do aeroporto: veloz. E veloz vem com “zelo”, “levo”, “vê-lo” e “zolev”, que parece o leste europeu, embutidas. Quanto movimento! E se você não quer me dar licença e procura o “v” no “zelo”, então fique com um “zelov”. Só Love, Zé Love. Só Love, Zé Love. Só love zé love, só love zé love. Foi Ferreira quem me levou a pensar este monte de besteiras. Chamo Ferreira de Ferreira porque ele é tão bacana que ficaria muito sério chamá-lo de Gullar.

Mas tenho respeito e admiração por ele. (Já devem ter percebido).

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Do jeito que eu gosto

Aos que ainda não: vão ver ‘Lixo Extraordinário’ na semi-privacidade escura de uma sala pública, numa sala de cinema. É co-dirigido por João Jardim, de “Janela da Alma”.

Minha lembrança do Vik Muniz vem de quando acompanhei a entrevista dele para o Bastidores, antes da abertura da exposição que arrastou multidões ao MAM do Rio de Janeiro. Ele me pareceu ser um cara honesto. “Por que todo fotógrafo faz careta quando fotografa?”, perguntou-me depois dos cliques, rindo. Surpreendido, eu ri todo sem graça.

Estava com o livro do Ferreira nas mãos e, sem pensar, fechei-o, olhei a capa, percebi que a imagem era uma estampa de pedaços de papel, passei os dedos na parte branca com acabamento brilhante, abri o livro e meti-o na cara, dando uma cheirada bem gostosa. (Tenho dúvidas sobre algumas ênclises e vírgulas).

Ah, esqueci de contar que outro dia vi Ferreira entrando numa farmácia do Largo do Machado, atrás de uma moça que deve ser aquela que ganhou vestidos Mara Mac. Deu vontade de gritar “lindoooooo!”.

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‘na areia, na neve marinha ‘

O Google acabou com o meu romance! Tava aqui achando linda a possível comparação entre areia e neve, mas descobri que neve marinha é um chuveiro contínuo em águas profundas onde tem até tem cocô.

“Somos vítimas de referências que precisam de referências e isso torna tudo um enorme exercício de metalinguagem”

- Acima, Gerald Thomas me deixou com vontade de ler o meu xará Beckett. Gosto dessa proposta do ‘pra ser lido com simplicidade’, que é o que eu mais quero para as minhas fotografias. Não gosto de Flickrs cujos autores inventam títulos metafóricos que tentam ‘poetizar’ as imagens (que geralmente já são ruins).

- Mirian Leitão postou conteúdo sobre o Alemão: 85% das armas que circulam são produzidas aqui e o que mais mata é o 38.

Dado irrelevante, acho brega 99,6% das pessoas vestidas de branco nessas festas de fim de ano. Fico com uma impressão de que há tristeza e frustração disfarçadas no ar. A coisa sobre pessoas em frangalhos tentando buscar um cadim de esperança (vide Gerald sobre Beckett). Tenho passado de cinza, combinado com várias cores, e tem funcionado. Neste ano, vou preferir celebrar o ano que passou a comemorar a chegada de um ano que eu nem sei n’onde vai dar.

Hoje vi o DVD de Maribéth e fiquei com esse trecho de Fonte na cabeça o dia todo:

‘Pode o sol escurecer
Até a noite desabar
Eu invento a luz
E faço a vida nascer de outro mar’

Tai chi chuan no caminho da geladeira

Ricibí um e-mail da Ana, que me conta uma aventura vivida antes de chegar ao Pará. Antes de assinar, ela me escreve ‘Açaí com tapioca , tacacás e muito taperebà’ e fico pensando que, se eu tivesse viajado o centro/norte do Brasil de carro em algum momento da minha vida, teria lido Macunaíma fácil fácil, que nem janelinha do messenger. Cunhã sabida.

Agora que estou seguindo minha dieta rigorosamente, descobri que yoga, natação, academia, bicicleta e esteira são atividades fáceis. Difícil mesmo é levar um pote cheio de gelatina líquida até a geladeira sem derramar uma gota. A cena é ridícula. Ou seje: tenho que parar de ser pobre e não encher mais a porra do pote até a boca. Um dedo a menos de gelatina não vai matar ninguém.

NÃO SEI.

Sempre que ando precisando colocar a cabeça no lugar, este blog vira um citódromo.

Estou evitando explicar antes de sentir. Ou contar muito mal o que eu mal entendi. Vocês me desculpem, mas é assim que eu quero e é assim que vai ser.

Uma pseudossocialite (transtornada da voz rouca) saiu hoje do teatro falando bem alto, para que todos pudessem escutar sem querer: ’… E QUANDO ELA (Bethânia) FOI À QUINTA PESSOA DO HOMÔNIMO DE FERNANDO PESSOA!?! AH, E ESSA GENTINHA ATENDENDO CELULAR, ESSA GENTINHA CONVERSANDO. ESSA GENTINHA NÃO SABE DE NADA E…’. (o dedo indicador da mão direita apontado para cima, rodopiando ao lado da cabeça).

O senhor que a acompanhava na escada rolante, coitado, nem respondia de tanta vergonha. Livrou-se dela no primeiro piso e ela, irritada, ficou sozinha sem ter a quem dar a mão. Sobrou pra quem?
- “Vocês sabem o que vocês viram?
- !?!?! Acho que sei… (eu deveria ter dito “NÃO SEI ¬¬”)
- Não, vocês não sabem o que vocês viram. Ela estava falando como se fosse o quinto homônimo de Fernando Pessoa! (E o dedo indicador em ação!)
- Ah é? Que bom!

Fernandinha ria como quem se perguntava.

Não quero achar que sei mais e sentir menos. Este é o meu texto preferido da noite de hoje:

“Lembro-me de quando era criança e via,
como hoje não posso ver,
a manhã a raiar sobre a cidade.
Ela não raiava para mim
mas para a vida
porque então eu, (não sendo consciente)
eu era a vida.
E via a manhã e tinha alegria
Hoje vejo a manhã, tenho alegria
e fico triste.
Eu vejo como via,
mas por trás dos olhos, vejo-me vendo.
E só com isso, se obscurece o sol,
o verde das árvores é velho,
e as flores murcham antes de aparecidas.”

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