E eu achava que, com o passar dos anos, escreveria melhor. Avemaria, meudeus.
Olha, vocês me perdoem se eu insisto nisso, mas escrevo essas coisas tentando recuperar aquela malícia que vi pelo espelho, na distância… cantem comigo! Pensei em dar um tempo, como dizem por aí. Dar um tempo. Mas ainda acho que esse fazer constante acaba sendo melhor. Ou como eu gosto de dizer: lubrifica.
Vejam como a vida é injusta e repetitiva:
Eu envelheço e perco o viço.
Ferreira envelhece e escreve daquele jeito.
Hoje subi no elevador com uma menina uniformizada. Perguntei “de qual unidade?”. A mãe respondeu “Humaitá”. “Ahhh, estudei lá! Aproveita. Dá uma saudade imensa depois que a gente se forma”. Fechei a porta do elevador e vimembora. A voz trêmula de bobeira.
Não quero me esquecer de que cantei ‘As Curvas da Estrada de Sântsssssssss’ com o Mário no videokê. E quando escolhi, nem pensei que ela também faria sentido pra ele. Sei lá, parecia uma cena de ‘As Melhores Coisas do Mundo’. Vai passar num sábado desses no Telecine (ou aluguem).
O primeiro que me chamar de Peter Pan leva uma bifa.
é melhor escrever constantemente, como diz o borges “treina a mão”.
depois ela escreve até sozinha, será?
pois: essa cena ascensorística: minha vizinha de andar, no flamengo, estuda n’humaitá. e ela tem uns pedaços do cabelo rosa. hoje em dia as crianças podem. queria ter dito pra ela aproveitar, depois dá uma saudade e um orgulho enormes. e aí a gente fica se emocionando com uniformizados por aí. tinham me avisado, na minha época de escola, eu não dei bola. (“você vai ver, quando se formar, você vai ver os mais novos com o uniforme e vai fazer o mesmo que eu fiz”, dizia-me a estranha).
[...] o Samuca ainda tem a audácia de dizer que perdeu o viço!] LikeBe the first to like this [...]